terça-feira, 25 de setembro de 2007

Cintilando

Antes de mais nada, ela sentia saudades. Saudades imensas de um não-sei-quê. Não era saudade de gente, nem de lugar algum. Não era saudade de um tempo passado, nem de um lindo dia de chuva, nem de parques que conhecera.

Não. Algo desconhecido incomodava.

O desconhecido.

Talvez nem mesmo fosse saudade. Passava então toda a noite acordada, sobre o peitoril da janela e não esperava por flores, nem vento, nem ninguém. Apenas contava as estrelas uma a uma e perguntava-se os porquês de tanta saudade.

Durante algumas noites, desenhava estrelas, copiando a exata posição de cada uma, no céu. Em outras, nomeava-as, como a amigas, para em seguida contar a elas seus segredos mais escondidos. Escondidos até de si mesma.

Outras vezes, escrevia. Escrevia obsessivamente sobre estrelas, prometendo-lhes que, em algum momento, conseguiria produzir um texto digno de tanto brilho.

E houve vez em que, erguendo uma prece, pensou dirigir-se aos céus. Mas era com as estrelas que falava.

A mais bela noite, porém, foi aquela em que as estrelas desceram, lentamente. Rumo à sua janela. Uma a uma, postaram-se sob seus olhos, cobriram-lhe o rosto, cintilaram pela face.

E permitiram, enfim, que adormecesse.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Quando a criança se molha no frio,
é possível que acabe gripada

ou que pegue uma pneumonia.

Mas nada disso tira a graça de um banho de chuva.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Após um bom dia de aula...

Sem muitas delongas: eu decididamente amo ser professora. Muito, muito, muito! Nasci pra isso (e soa bonito...).
É bom q fique registrado, para q eu possa redescobrir, se um dia for necessário.

sábado, 18 de agosto de 2007

Encanto

Entre meus textos não publicados aqui, encontrei um que gostei muito de escrever e que ainda gosto de ler - o que não é muito comum.
Quando escrevi, recebeu o título de "Encantada", mas do título, nunca gostei...
Não publiquei na época e talvez agora não seja absolutamente pertinente. Mas aí está...

*
Encantaram-na as sombras, encantara-a o céu, encantara-a o sol, encantara-a os pássaros e o vento, o arco-íris, a chuva; encantada.

Mas nunca houve encanto tão grande como aquele que, então, prostrava-a diante do lago, diante do palácio, sob as estrelas, todas as noites, invariavelmente. Encanto, canto que guardava a um só tempo céu, chuva, arco-íris, sombra, vento, pássaros. Estrelas.

Pertencia-lhe, já.

Talvez por descuido, ao conversarem, deixara embeber-se com as cores de seu olhar. E enfeitiçada, era toda dele, embora ele não pudesse, de forma alguma, saber.

Pertencendo-lhe, queria-o. Não para si – pois deixam de cantar, os pássaros presos – mas próximo de si. Junto a si. Queria-o. Que, ao menos, soubesse o quanto já o amava, não por amar simplesmente, mas por admirar-lhe, como se admira o céu ou as estrelas.

Conta-se que já houve quem se apaixonasse por estrelas, e que, embriagado de amor, lançou-se a um grande lago, onde o reflexo da estrela descansava. Na água agitada, desfizeram-se as estrelas, todas e também aquela, tão amada.

Conta-se também, que o amante da estrela afogou-se, tentando, ainda, alcançá-la.
Senhor! Não permita que também ela, menina, lance-se ao lago. Que exista outra forma de, em mãos, ter uma estrela!


terça-feira, 7 de agosto de 2007

Post de aniversário

Já é quase uma obrigação: quando faço aniversário, sinto-me obrigada a rascunhar qualquer coisa aqui. Nem que seja para depois olhar e poder dizer que não deixei, eu mesma, a data passar em branco.

No mês passado, enquanto arrumava algumas das minhas muitas e desordenadas gavetas, encontrei um diário trancado, no qual só devo ter escrito três vezes, quando muito. Forcei o cadeado, abri, e folheando, descobri uma lista feita em 07.08.99.

A lista pretendia dar conta de todos os meus sonhos até então. A idéia era ter escrito uma lista nova a cada aniversário, riscando os desejos já alcançados. Como esqueci do diário, não cheguei a fazer isso nenhuma vez...

A surpresa boa foi constatar que, passados oito anos, realizei a maioria dos meus sonhos de então. (Só não abri um túnel entre meu quarto e o do meu irmão, nem traduzi Karl May, nem casei... :P)

Pretendo fazer isso, mais uma vez: escrever em algum lugar meus novos sonhos e os que restaram – talvez nas páginas amareladas do tal diário, para (quem sabe?) aos 32, descobrir que continuo realizando meus sonhos.

Ou que continuo sonhando sonhos realizáveis. :)

domingo, 29 de julho de 2007

E a redação da Miga


Dois girassóis andavam pela praia. Pararam assustados quando uma alcatéia de libélulas azul-douradas passou navegando.

O besouro Escurinho passeava no jardim com as crianças.
Muito sol e muito verde por tudo.

Os girassóis reclamaram: este mundo ficou maluco! Mas o besouro Escurinho já ia lá longe.
Muito sol e muito verde por tudo.
A água era verde com muito sol. (Tinha também uma gaivota verde).

Era tudo meio estranho, mas os girassóis continuaram a andar. A areia estava quente e gostosa. Então, as libélulas cantaram.
Muito belo e bonito.

Uma canção de ninar
com o som do mar
com as ondas batendo
com as ondas lambendo as nuvens.

Os girassóis e o Escurinho... não precisam de cartas: eles passeiam na beira da praia.
Às vezes não dizem nada, mas se olham e pronto. Com as crianças, o mesmo.

As libélulas agora estão retornando. São quase cinco horas e elas vão ensaiar o concerto de amanhã: Chuá, chuá. Som de mar e ondas.

E vão dormir bem ao som das próprias canções de ninar.
Um pássaro aqui e ali, esperando para ser acariciado. Assim é o verão aqui.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Da Adry


Era uma vez uma estrela em meio a escuridão. Ela brilhava, cintilava, iluminava... Um dia, começou a sentir na noite uma grande solidão e foi aos poucos se ofuscando, apagando, escurecendo.
Quando a tristeza e o abandono já pareciam reinar, ela vê as estrelas vizinhas ainda a brilhar, alegremente a cintilar, calmamente a iluminar. Tudo fez-se luz!

A estrela nunca esteve só, ela só não tinha percebido que mesmo que não visse com os olhos a presença de suas companheiras, elas ali estavam. E nunca mais se ouviu falar em escuridão, porque a estrela agora sabia...
(menina Adry)

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^^