quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Canto de Natal

((Vamos ver se funciona: um poema de Natal por dia, até o Natal chegar - ñ q vá ser muita coisa... :P))

Canto de Natal

Manuel Bandeira

O nosso menino
Nasceu em Belém.
Nasceu tão-somente
Para querer bem.

Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.

Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino.
Seu nome é Jesus.

Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino.

(in "Antologia Poética - Manuel Bandeira", Editora Nova Fronteira )

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

A quem chega

De minha pena não brotarão
versos de rimas raras,
tão próprios de amores perdidos
e das imensas paixões sofridas.

Nem escreverei aventuras heróicas,
epopéia brilhante de atos ousados,
escrita com os mais rebuscados vocábulos
e compreendida por poucos ou ninguém.

Tampouco concebo um drama, daqueles de longos e belos diálogos e intensas estruturas frasais. E cuja jovem heroína morre antes do fim, lamentada por um cavaleiro que, perdido entre os capítulos, demorou até as últimas páginas para chegar.

Não.
Prefiro a coletânea de pequenos contos.
Um seguido de outro, leves, curtos, reais e firmes.
Aos poucos renderão - quem sabe- um romance.

Que fique consagrado em nossa literatura!

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Singelos Pedidos

Entusiasmada com a idéia de fazer uma boa ação neste Natal, adentrei a sede dos Correios. Lá estão reunidas as muitas cartinhas que as crianças enviam para Papai Noel, no fim do ano.

Segundo o que lera no jornal, as cartas costumam ser enviadas por crianças carentes cujos singelos pedidos esperam por nossa boa ação. Adotando uma carta dessas, você se torna uma espécie de ajudante de Papai Noel. Uma alegre idéia, me pareceu...

A expectativa era grande. Uma boneca, uma cesta de chocolates, roupas, talvez um vestido, uma enorme caixa de lápis de cor, toda criança adora lápis de cor; será que posso adotar duas ou três cartnhas?- tudo isso ia matutando, enquanto trazia para perto de mim uma das caixas de cartas.

“Querido Papai Noel, feliz Natal.
Meu nome é L., tenho 7 anos e gostaria muito de ganhar uma bicicleta aro 20, azul do Homem Aranha. Obrigado.”


Ousado, este L., pensei, partindo para outra. Que pedia uma bicicleta rosa com cestinha, da Hello Kitty. E para outra, que pedia um carrinho de controle remoto da Ferrari... Segui na minha busca por uma singela cartinha. Encontrei uma boneca Miracle Baby, patins da Xuxa, lava-jato do Hot Whells, um lap-top do Homem Aranha (ele, novamente!), Barbie Princesa da Ilha, e mais bicicletas e mais lap-tops e bicicletas e lap-tops e sempre assim, a cada carta lida e relida. De singelas, apenas as minhas idéias, antes de entrar nos Correios.

É, Papai Noel está precisando mesmo de muita ajuda!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Eros e Psique

Tomei hj, mais uma vez, a resolução de voltar a escrever no blog pelo menos uma vez por semana. Ainda que não seja um texto, ainda que o texto não seja meu, ainda que seja apenas um “alô”, para valer a pena manter um blog, afinal.

Estudando para uma prova essa semana, li uma poesia de Fernando Pessoa, da qual gostei muito. Em seguida, encontrei um vídeo no youtube com a mesma poesia. Ilustrada pela professora. =P


Eros e Psique
*
Fernando Pessoa
*
...E assim vêdes, meu Irmão, que as verdades
que vos foram dadas no Grau de Neófito, e
aquelas que vos foram dadas no Grau de Adepto
Menor, são, ainda que opostas, a mesma verdade.
(Do Ritual Do Grau De Mestre Do Átrio
Na Ordem Templária De Portugal)
*
*
*
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
*
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
*
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
*
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
*
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
*
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
*
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
***

Para ver o vídeo: http://br.youtube.com/watch?v=ORbyqzaKJKs&feature=related

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Aracne ou Penélope?

Meus sonhos,
teço-os
tênues teias.

Depois desfaço-os,
soprando-os

ao sabor dos ventos.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Três Anos

É um belo número... E, devo dizer, uma longa e agradável história.

Em comemoração ao nosso aniversário, decidi inaugurar este novo espaço para nós, mais leve, mais organizado e, quem sabe, mais movimentado.

O endereço anterior deixará de existir, provavelmente muito em breve. Por isso, estou transferindo, aos poucos, todos os posts antigos de lá para cá. Com o tempo, tentarei fazer o mesmo com os comentários - proncipalmente com os divertidíssimos comentários da nossa época áurea!^^

Aproveito para postar saudades. Saudades do misterioso Anônimo, q às vezes passa, mas tão de quando em vez que deixa saudades. Saudades do amigo Esk, que (e fez muito bem!) se perdeu pelo Velho Mundo e especialmente, saudades do menino -Ei. Gosto de imaginar que o espertinho passa por nossos blogs uma vez ou outra, para ver como estamos. Espero que passe por aqui, e saiba que sinto (sentimos!) muita falta dele. E desejamos sempre que esteja feliz...

Os amigos que nunca sumiram (Adry, Jooodok, Miga, Tski!!) tbm merecem uma homenagem, pela enorme paciência, hehehe ^^ Espero que possamos passar mais três anos juntos, e depois mais três e mais três e mais, mais, mais... Isso vai ser um bocado de tempo, no fim das contas! ;)

Quanto ao nosso novo espaço, espero opiniões. Reclamem, critiquem e elogiem tbm, por favor! Se houver algo do antigo q deva vir para cá, avisem, que passarei a informação à secretaria e tentaremos atendê-los em breve.



E parabéns para nós!

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Resumos e Rascunhos

Eu devia estar fazendo mil outras coisas- entre elas, o almoço- mas cá estou, atualizando o blog. Volta e meia me pego pensando no que escrever aqui...
De vez em quando sai uma poesia torta, um mini-texto, um desenho apressado, um sorriso escondido, uma frase solta ao vento. Vou juntando tudo, confundindo tudo entre todos os papéis que diariamente me acompanham e nada vem pra cá, no fim das contas.

Juntei alguns, todos memórias sem data. Um apanhado de meus últimos papéis esparsos:



Aquela menina de cabelos presos em cachos por um fino laço lilás passou muito tempo inclinada à janela. Olhar vago, quase choroso, eu diria. Diria, se ela tivesse chorado.

Mas ela permaneceu assim, dias a fio, o olhar mudo passeando pelas ruas. De movimento, apenas os cachos, brincando com o vento.

A insistente voz da mãe fez com que descesse a atravessasse o umbral da porta. Os pés guiaram-na pelo caminho conhecido, andando sem cansaço, sem decisão, sem certeza. Até se perderem.

Então pararam, e ela ergueu os olhos. Estava perdida, estavam perdidos. Caminhos que se cruzavam e levavam a lugar algum. Estrada sem placas ou com placas demais, ela não saberia dizer. Ela nunca sabe dizer nada.

Restava seguir caminho ou retornar.
***

Entre o caderno de linhas
E aquele bloco branco
Prefiro o segundo.
Que não impõe limite aos sonhos.


***

Segredei-lhe, no inverno,
meus segredos.
Você fingiu não ouvir.
Mas deixou que a canção continuasse tocando.

Agora já é primavera,
logo virá o verão.
As palavras que não ouviste,
Haverá os que ouvirão.

E brotam as flores.
E chove, de leve.
Na brisa, uma nova canção.


***