sexta-feira, 14 de março de 2008

Fernando Pessoa

E oras vejam, achei um Pessoa que me cabe muito bem nesta semana...

Poema
Fernando Pessoa

O céu, azul de luz quieta.
As ondas brandas a quebrar,
Na praia lúcida e completa -
pontas de dedos a brincar.

No piano anônimo da praia
Tocam nenhuma melodia
De cujo ritmo por fim saia
Todo sentido deste dia.

Que bom, se isto satisfizesse!
Que certo, se eu pudesse crer
Que esse mar e essas ondas e esse
Céu têm vida e têm ser.


(em Mensagem, ed. Nova Fronteira)

quarta-feira, 5 de março de 2008

Tabacarias

Para começo da prosa: tenho paixão por tabacarias.

E pouca gente sabe – ou sabia - disso. Gosto de passar pela vitrine, dar uma olhada para dentro, o ambiente clássico e sóbrio, as paredes de madeira escura, as latinhas de tabaco, as miniaturas de carros antigos, os tabuleiros de jogos, os cantis, os canivetes, o perfume amadeirado, e os ares de galanteria de um mundo perdido em antigamentes que só me pertencem no interior das tabacarias.

Não à toa Fernando Pessoa escreveu um longo poema intitulado “Tabacaria”. E embora no poema, Álvaro de Campos puxe um simples cigarro, o assunto que me leva a escrever aqui é bem outro: os cachimbos.

Não fumo, não trago, não pito, mas confesso: a-do-ro um cachimbo! Com quanta classe uma pessoa enche o fornilho do cachimbo! E para minha surpresa, há regras para isso: descobri três regras diferentes com 8 a 10 passos a se seguir, como um artista... Além disso, o odor do tabaco de cachimbo costuma ser suave e gostoso.
Não nego q faça mal, absolutamente. Mas é gostoso! Este mundo, afinal, é cheio de gente que bebe coca-cola (q não é arte, não tem charme, tampouco é gostosa), ciente de q faz mal!

A variedade de tabacos é impressionante: há os adocicados, para início do dia, os que contêm vinho ou rum envelhecido, os com folhas de limão, os aromatizados com champagne, licor de cassis, com chocolate, com baunilha, cereja e até com açúcar queimado!

Outra coisa que me atrai são as qualidades creditadas aos tabacos: o aroma é sempre elegante, encorpado, distinto, denso, equilibrado, suave, atraente, sutil, singular... Ou arredondado! Tal como o vinho, o tabaco coleciona adjetivos que me seduzem facilmente.

E ainda que ñ houvesse tal variedade de atraentes aromas, haveria a enorme variedade dos formatos de cachimbos. São
tantos que chego a ficar indecisa, ao tentar escolher os formatos mais bonitos!

E não é muuuito bonito?!



Quando pequena, assisti diversas vezes ao filme “Heidi”, baseado num livro de literatura infanto-juvenil. O avô da menininha fumava cachimbo e tinha na parede de casa uma coleção deles. A menininha da história presenteia o avô com um belo cachimbo comprado na cidade, presente que sempre me pareceu de muito bom gosto.

Na época, meu avô paterno também tinha o elegante (não necessariamente saudável) hábito de cachimbar. Ele se sentava em uma poltrona gostosa para isso, e fazia bolinhas de fumaças, divertidas de olhar. Hoje em dia meu avô ñ fuma mais, mas guarda uma pequena coleção de cachimbos, que gosto de conferir sempre q o visito. O aroma gostoso permanece no fornilho de cada um deles.

O hábito de cachimbar ñ é, naturalmente, próprio apenas do avô da Heidi ou do meu. Há uma grande lista de homens -e mulheres- inteligentes, sensíveis, muito elegantes e (claro!) cachimbantes. Podemos começar com o venerável Gandalf, o Mago de “O Senhor dos Anéis” e seus amigos hobitts, seguidos por seu criador, Tolkien. Também C.S. Lewis, autor de “As Crônicas de Nárnia” era homem de cachimbos. Da mesma forma, Sir Arthur Conan Doyle ensinou Sherlock Holmes a cachimbar, enquanto desvendava casos. Mark Twain cachimbava e se bem me lembro, o menino Huck Finn tbm dá suas pitadas (embora eu discorde de crianças cachimbando. É um hábito q cai bem apenas para um moleque: o saci-pererê, q cachimba sem classe, mas com graça). Tio Barnabé tbm tem um cachimbo, e gosto de pensar no personagem de Lobato contando histórias em torno da fogueira e desenhando rosquinhas no ar, para as crianças que sorriem à sua volta.

A estes nobres personagens e autores, se junta ilustre galeria: Bach, Manet, Van Gogh, Baudelaire, Hemingway, James Barrie, Graham Bell, Isaac Newton, Einstein, Freud, Neil Armstrong, Darwin, Clark Gable e até a rainha Victoria!

É desnecessário mostrar as diferenças entre o hábito de fumar um simples cigarro e o de cachimbar. O cachimbo pede movimentos suaves e calmos, enquanto o cigarro sugere tensão, movimentos nervosos e cinzas espalhadas pelo chão. É fácil imaginar o cachimbante lendo, escrevendo, jogando xadrez ou mesmo contando uma história, rodeado de amigos ou crianças, em atitude simpática e serena.

O cachimbo, ao contrário do cigarro, ñ se consome, ñ é descartável, ñ é símbolo do nosso mundo imediatista. Não, não... O cachimbo, com suas elegantes curvas, é lembrança de um passado nobre, pitoresco e pacato , quando sentar para produzir bolinhas perfumadas, para simplesmente pensar ou mesmo para contar histórias ainda era importante.
E era!

Buscando os perfumes suavemente amadeirados deste passado, é que entro nas tabacarias.

domingo, 2 de março de 2008

Mar e som

E de repente, tantos caminhos diferentes, vistos do alto da colina.

Mas o mais bonito, ela pensou, era aquele q começava na areia, o som das ondas batendo nas rochas.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Ao Alexei

Hoje é aniversário do menino Alex-ei.
Ele sumiu da esfera virtual sem deixar rastros, mas gosto de acreditar q passa pelos blogs amigos de vez em quando, nem q seja por simples curiosidade.
Fica aqui minha lembrança pela data.

Feliz Aniversário, menino -Ei.
E volte!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Preciso parar de sentar-me às margens do lago, se quiser andar.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Crepúsculo

Vindo da montanha, ele seguiu caminho direto ao palácio, sem muitos movimentos ou olhares. Ela não entendeu logo, buscou seus olhos, ensaiou um gesto, sorriu de leve. Seguiu, fazendo barulho, esperando que assim, ao menos, pudesse ser ouvida. Mas seus passos foram encobertos pelo trotar dos cavalos.

Então sentou-se diante dos portões fechados, forte muralha que não sabia transpôr, o coração apertado entre os blocos de pedra. Passou assim muito tempo, até que surgiram doze, vinte e quatro, trinta e seis e logo tantas e tantas estrelas que julgou melhor retirar-se.

E por muito tempo, permaneceu sob as romãs mais próximas. Até que debaixo de sol e calor, começou a contornar o palácio, ultrapassando lagos, riachos e colinas. Lá atrás, vislumbrou uma estrada e detrás da estrada, novos caminhos. E esperançosa, seguiu viagem.

Fez-se tarde.

Só então ele chegou à janela, e do alto da torre, enxergou seus cachos ao vento.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Alunos Criativos

Fim de férias, as aulas quase voltando; encontrei em minha caixinha de entrada um daqueles Forwards que, normalmente, jogo fora sem sequer abrir. Como esse foi enviado por meu avô, resolvi ver do que se tratava. E rolei de rir.

Pensei em mandar para muita gente, mas assim como detesto receber, também detesto enviar FW. Como eu precisava postar algo e o tema tem tudo a ver com a idéia do blog, eis aqui as criativíssimas respostas que alunos inventam na hora do sufoco.

Morram de rir! :P


Aluno prestativo

Muito fácil....


Aluno cristão


Professor indignado


Representação Gráfica ;)



100 em redação!




E a melhor de todas!