domingo, 24 de abril de 2011

Recordando...

Já publiquei aqui este texto, na Páscoa de 2008, quando eu ainda escrevia com certa frequência. Hoje, dia de Páscoa, pouco antes de sair para o almoço na casa da vovó (lá onde mora a cristaleira dessa história), reencontrei-o por acaso, pesquisando outros documentos nas minhas pastas.
Reli e ainda gosto dele. E agora, com FaceBook, o exto vai chegar mais longe! ;)

Feliz e Santa Páscoa a todos!

*

Páscoa

As crianças passavam a Semana Santa observando o movimento dos ovos que chegavam. Era a mãe, vinda do supermercado, a sacola cheia de ovos de chocolates. O pai que trazia e levava caixas de bombons para o trabalho. A madrinha que aparecia, depois de tanto tempo, com um beijo e um chocolate para cada um. E vovó com os coelhinhos. E tios e primos e amigos e chocolates.

E a grande cristaleira de madeira, no meio da sala, cada vez maior e mais gorda.

As crianças esqueciam dos brinquedos e sentavam-se diante dela. Acompanhavam, maravilhados, o milagre dos chocolates que chegavam continuamente.

-Um, dois, três...
-Tem mais um aqui.
-Mamãe pôs mais um hj à tarde.

E contavam e recontavam chocolates. A chave guardada no bolso da mãe, os olhinhos doces implorando em silêncio.
Não tinham permissão para provar nem unzinho antes da Páscoa. Na Semana Santa não havia cristão que convencesse mamãe a liberar chocolates. 
Não, meus filhos! Um pequeno sacrifício: Jesus morreu na Cruz por nós!

E as crianças observavam a enorme cristaleira no meio da sala e perguntavam-se pq é q Jesus foi morrer justo na semana em que chegavam os chocolates. Lá fora o som da matraca, trac-trac-trac, vigiava severamente as crianças. 
E  não fosse o silêncio e não fosse a matraca e não fosse o milagre dos ovos que chegavam e o pequeno sacrifício de apenas observá-los dentro da cristaleira, as crianças provavelmente jamais lembrariam do sublime milagre de um Deus que todos os dias oferece-se em sacrifício.

Até que a matraca cessa.
Até que se acendem as velas na igreja escura.
Até que o coral entoa Aleluias.
E mamãe entrega a chave ao menino mais velho. E abre-se a porta.

-Aleluia! Nosso Senhor ressuscitou!- uma a uma, as crianças repetem a frase cuidadosamente ensinada pelo pai.
-Verdadeiramente ressuscitou!- responde o menino mais velho, uma, duas, três vezes, entregando os ovos aos irmãos, orgulhoso de sua responsabilidade.

E aquela cristaleira, vazia como o sepulcro de Nosso Senhor ressuscitado ensinava às criancinhas a verdadeira alegria da Páscoa.

3:57

Não tenho sono.
É madrugada de Páscoa, o galo canta.
Lá fora faz calor, aqui faz frio.
Eu sempre soube que depois q casasse teria um ar condicionado.

Fiz um pavê para o almoço pascal.
Há louça (muita!) na pia para lavar.
E roupa para tirar da corda
e passar
e guardar no armário.

Mas eu não costumo passar roupa, mesmo.
(nem guardar no armário)

Há um (uns) livro para ler na sala.
E trabalhos a fazer
E provas a corrigir

E eu aqui redescobrindo que sem escrever, me esqueço.
Ai, quem era aquela menina de laço lilás na cabeça?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Onde me encontrar

Não sei se alguém quer saber aonde foi a professora, que sumiu assim tão completamente desde que casou.
Descobri recentemente que é possível ver as "estatísticas"do blog e (ohh, surpresa!) recebi mais de 50 visitas este mês. Alguém cai aqui, nem q seja por acaso...

Peço mil desculpas (as de sempre) e aproveito para explicar que não estou de toda sumida, não. A professora, revoltada (feio isso!) com a situação de suas cordas vocais, começa a pensar em acompanhar seu fotógrafo predileto em suas aventuras fotográficas.

Enquanto não joga o magistério para o alto (para ver aonde ele cai), a professora atualiza, modifica e monitora este espaço: www.fabiomorofotografia.com

Visite-nos, comente, deixe-se fotografar! ;)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Em mudança

Conforme anunciado há muito tempo, mudei tudo. E continuo mudando.
Não sei se está bom, estou estranhando tudo! :/
Tbm não sei qual a intenção, a priori só arejar a casa, abrir a janela, lavar as cortinas... Ainda não achei um layout realmente bom. Muito difícil, sempre.
Estou achando muito poluído... Vcs tbm?

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Casei - 1 mês

Casei e os alunos e amigos foram todos ao casamento. :)
Fiquei muito feliz com cada pedacinho da cerimônia e da recepção - e ainda estou muito, muito feliz!
Há fotos no Orkut e no facebook (agora estou lá tbm), mas ponho aqui para q fique registrado, como é de costume.

Pura alegria

O quadro-negro da professora


Sapatinhos de cristal

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Filhos

Já dizia o poeta:

"Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?..."

O Poema enjoadinho é gostoso, e no final das contas, sabe-se que o poeta achou bom tê-los.
Mas, e hj em dia? - dizem as línguas (as boas, as más, as línguas todas!). Como ter filhos hj em dia, num mundo desses? Mais de dois? Ó, céus! (As línguas, ainda...)

Filhos sempre foi um dos meus temas prediletos. E o quase-marido que o diga! ;)
Abaixo, um post encontrado em passeios rede afora.


Não sei se sou mulher o suficiente para isso. Mas gostaria de sê-lo.
Pq é sim, possível tê-los e ser feliz!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Doce embriaguez

Perdida em alguma lembrança, encontramos a menina de fino laço lilás nos cabelos.
Está à janela, perigosamente debruçada sobre o peitoril, sem se importar com a altura até o chão.
Seria um tombo e tanto.

Distanciara-se da janela há muito tempo. Não por mágoas, não por distração, não por tristeza. Talvez até pelo contrário.

Havia, sim, algum medo de machucar o vento ou os pássaros que cantaram, sempre, em seus dias mais tristes. Que eles perdoassem sua ausência,embora nem merecesse perdão, talvez. Era tão feliz, que não merececeria mesmo, perdão algum.

É verdade que já acreditara-se antes encantada. Mas encanto algum até então, fora capaz de distanciá-la tanto e tão intensamente da janela, do vento, dos pássaros, dos palácios e das estrelas que amava. Acreditava-se mesmo presa e dependente da janela e do peitoril. Até o Encanto.

Encanto algum fora como aquele.
Desta vez, o Encanto era forte e constante. O Encanto sussurrava-lhe palavras suaves e cobria-a de beijos. O Encanto tomava-a nos braços seguros e caminhava ao seu lado. Braços fortes e cheios de carinho. E de encanto.
Encanto algum fizera tão linda promessa sem palavras - porque palavra nenhuma diria tanto. Encanto algum tivera, jamais, aqueles olhos insistentes e calmos. Calmos e pacientes. Pacientes e limpos. E lindos!

A vida inteira tivera medo de encantos desse gênero. Encantos fortes e irresistíveis, quase feitiços, como não temê-los? Desejava-os, sim, mas temia. Temia a efemeridade dos encantamentos. Temia as artimanhas, temia -uma vez encantada- perder o controle e não ser mais senhora de si. Ela, que sempre orgulhara-se de ser senhora. Mas deste Encanto, não tinha medo. Apenas certeza.

Volta à janela e de lá, observa-se à distância.
Está no jardim. De tão florido, inebria-se de perfume. Caminha como sonolenta, como adormecida, apenas caminha, tonta de alegria e deleite, seguindo o Encanto. Completamente encantada. Embriagada de encanto. O Encanto é seu senhor, e é ela, a sua senhora. Guiam-se, encantados um com o outro, caindo e atropelando flores, entre risos altos e indiscretos.
Como em sonhos felizes em que nos despertam na melhor parte.

Que jamais a acordem, é tudo o que pede às estrelas.